Tiago Costa

Legislativas 2025

O povo deu a confiança que há meses havia sido retirada a Luís Montenegro. A AD — coligação entre o PSD e o CDS — venceram estas eleições de forma clara, e avizinham-se drásticas mudanças na liderança do Partido Socialista. Uma direita reforçada encara, no parlamento, um espectro reduzido e enfraquecido à esquerda, apesar do forte crescimento do Livre, que fica perto de ultrapassar a Iniciativa Liberal, numa noite histórica para Rui Tavares e a sua equipa.

Governação

À direita, pairam dúvidas sobre os possíveis entendimentos, já que entre um “não é não” e uma maioria inexistente AD–IL, a opção de governação é minoritária. A governação da AD será, em condições de minoria, idêntica àquela que foi vista no último ano, e quanto a isso existe pouco a especular.

A discussão política desloca-se agora para a possibilidade de acordos que confiram estabilidade ao mandato de Luís Montenegro. Esses entendimentos poderão passar por um diálogo com o Chega ou com o Partido Socialista. Um acordo de governo com o Chega será improvável com Luís Montenegro ao leme do país, mas é importante notar que diálogos no âmbito da aprovação de certas medidas para o país — sobretudo em matérias de imigração — podem satisfazer André Ventura, que já demonstrou intenções de “dar estabilidade ao país”.
Quanto ao cenário AD–PS, este poderá ser possível sob a liderança de um novo líder do Partido Socialista que veja esse cenário com bons olhos. Pedro Nuno Santos é o derrotado da noite e aliás apresenta a demissão ainda durante a noite eleitoral. Precisamente por isso, o cenário político do país é tão incerto.
A Iniciativa Liberal, ao contrário do que se projetava nos dias anteriores, não fará parte do governo, visto que não existe maioria com a coligação AD–IL, mas poderá ser relevante ao fornecer ao governo uma maioria relativa face à esquerda (excluindo, portanto, o Chega da equação).

Papel de Marcelo Rebelo de Sousa

No presente contexto, reveste-se de particular importância a atuação do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que deverá estabelecer contactos no sentido de incentivar os partidos a conversar com sentido de responsabilidade e com disponibilidade para algumas cedências. Esta será igualmente uma responsabilidade do próximo Presidente da República, cuja eleição terá lugar já no próximo ano, e que muito provavelmente encontrará um cenário político caracterizado por fragilidade institucional e ausência de maiorias claras.

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