Após a ofensiva ordenada por Donald Trump ao Irão, os cenários de resposta começaram a ser debatidos, mas, na minha visão, a principal arma iraniana reside no Estreito de Ormuz.
O Estreito de Ormuz é responsável por cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente, e as ameaças da liderança iraniana em relação a este ponto estratégico têm sido frequentes. É provável que, após este ataque massivo, o Irão opte por bloquear o estreito, o que terá consequências extremamente relevantes para o mundo. O bloqueio desta importante rota marítima causaria uma interrupção significativa no fornecimento de petróleo, impactando diretamente os mercados globais e gerando uma crise económica e energética de proporções imensas.
Para se ter uma ideia: cerca de 20 milhões de barris de petróleo transitam diariamente no estreito de Ormuz, sendo que um bloqueio do mesmo ou até um ataque impediria a livre circulação neste local e inundaria a economia global numa crise energética.
Obviamente, estas condições de navegabilidade deixariam as principais potências descontentes, e um novo envolvimento dos Estados Unidos não seria surpreendente. Desde o início dos ataques israelitas ao Irão, o preço do barril de petróleo já inflacionou 10% e, para além disso, analistas do setor energético projetam que, caso o Irão efetivamente bloqueie o estreito, os preços do petróleo poderiam disparar para valores entre 100 e 150 dólares por barril. O Citigroup estima que o preço do Brent poderia atingir cerca de 90 dólares por barril, enquanto a JPMorgan prevê que os preços poderiam alcançar até 130 dólares por barril num cenário de conflito prolongado.