Tiago Costa

Porque a Europa está a ficar para trás: EUA e China avançam, e nós?

Em 2008 a Zona Euro possuía uma dimensão económica idêntica à dos Estados Unidos com o PIB a rondar os 10 biliões de euros. Segundo os dados mais recentes disponíveis, o PIB da Zona Euro já se encontra em valores muito abaixo dos americanos com a sua dimensão económica a ser 44% inferior à americana. Hoje vamos utilizar a análise realizada pelo conceituado economista Mário Draghi que fez um autentico raio x à Europa e aos seus problemas que a impedem de acompanhar o ritmo americano. O relatório aponta 3 áreas de ação principais para reconquistar crescimento:
-Diminuir o innovation gap com Estados Unidos e China;
-Desenvolver um plano conjunto para a descarbonização e a competitividade;
-Aumentar a segurança e reduzir dependências.
Focar-me-ei no problema da inovação e deixarei as duas outras áreas para nova oportunidade.
A cada vez mais fraca procura externa, principalmente por países como a China, que começam a ser competição feroz para as empresas europeias, representa mais uma vez a necessidade de grandes transformações e necessidade de acelerar a inovação para encontrar novas “máquinas do crescimento”. Para se ter uma noção, apenas 4 das 50 maiores empresas de tecnologia do mundo são europeias e desde 2013 a Europa já perdeu 4% da faturação global tecnológica enquanto os EUA ganharam 8% (Europa-18%; EUA- 38%)

A energia

É importante perceber também que o preço da energia na Europa é muito mais alto do que o Chinês e o norte-americano muito influenciado na guerra da Ucrânia e que afeta a estrutura de custos da indústria Europeia relançando o debate sobre certas dependências europeias, neste caso em específico a dependência do gás russo.

De onde veio esta diferença em produtividade ?

Esta distância em questão de produtividade tem um nome: “tecnologia digital”.
A Europa falhou em implementar as novas tecnologias e impulsionar a criação em sede própria de novas empresas tecnológicas. A difusão destas inovações era crucial para a economia e competitividade europeia mas nós falhamos. Se excluirmos o setor tecnológico percebemos que os crescimentos de produtividade europeus competem com os americanos, mas infelizmente apenas excluindo o setor tecnológico e alguns setores onde a difusão tecnológica assumiu um papel revolucionário como o das finanças.

As barreiras para a inovação

Enquanto nos Estados Unidos o top 3 de investigação e investimento é dominado pelo setor tecnológico, na Europa há um setor que permanece estático há anos: O setor automóvel. Enquanto a América se prepara para uma revolução na sociedade em geral a Europa permanece atrasada e presa em indústrias onde o crescimento de produtividade vem em desaceleração. Em 2021, as empresas da UE gastaram cerca de metade, em percentagem do PIB, do que as empresas dos EUA em Investigação e Inovação. Não existem suficientes instituições académicas a atingir níveis de excelência o que também atrasa os processos de inovação. Fragmentações do Mercado Único Europeu impede empresas inovadoras de escalar o negócio dentro da Europa e para além disso, a quantidade de financiamento na Europa em comparação com os Estados Unidos é assustadora. No mundo dos fundos de capital de risco apenas 5% está na Europa enquanto 52% está nos EUA e 40% na China o que diminui a procura por financiamento e menor perspectivas de crescimento. Entre 2008 e 2021, foram fundados 147 “unicórnios” na Europa – startups que passaram a ser avaliadas em mais de 1 mil milhão de dólares. 40 dessas empresas mudaram a sua sede para o estrangeiro, sendo que a grande maioria se mudou para os Estados Unidos. Sem esquecer as imensas barreiras regulatórias que assombram as jovens empresas nos seus processos produtivos. Este relatório representa, para os que acompanham de perto a realidade europeia, apenas mais um sinal do seu atraso crónico e da recusa sistemática dos responsáveis em enfrentar os verdadeiros problemas.

Para uma Europa de Futuro são necessárias Soluções de Futuro.

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